Serviço Pastoral dos Migrantes em Defesa de Dom Mário Antônio
O Serviço Pastoral dos Migrantes(SPM), vinculado à Comissão Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), vem a público manifestar seu apoio ao Arcebispo Metropolitano de Cuiabá, Dom Mário Antonio da Silva, que vem sofrendo ataques de ódio, nas redes sociais.
Dom Mário Antonio tem sido atacado por fazer um convite público para a participação no 31o Grito dos Excluídos e Excluídas que neste ano de 2025 trouxe com o lema: “A vida em primeiro lugar – Cuidar da Casa Comum e da democracia é luta de todo dia”. Nestes mais de trinta anos de história, o Grito dos Excluídos e Excluídas tem sido no Brasil muito mais do que uma manifestação pública.
Articulado pelas pastorais sociais, das quais o SPM faz parte, o Grito tem sido caracterizado como um processo de mobilização popular permanente, que denuncia a exclusão e anuncia alternativas de vida digna. Este ano de 2025, o Grito coloca no centro do debate dois grandes eixos que atravessam a realidade brasileira: o cuidado com a Casa Comum e a defesa da democracia e da soberania nacional.
Dom Mário Antônio tem sido acusado de ser “comunista” pelas alas de extrema direita. Ora, ele não é o primeiro a ser acusado de “comunista” muitos homens e mulheres que no Brasil lutaram e continuam lutando por igualdade de direitos e contra a miséria, a violência e a fome, tem sido denominados/as de “comunistas” como se isso fosse uma grande ofensa.
No Brasil, desde a ditadura militar, chamar uma pessoa de “comunista” quando ela questiona as causas da pobreza, ou quando tenta aliviar a pobreza com ações sociais, é uma tática para desqualificar e silenciar quem critica as desigualdades sociais, e tem sido usada historicamente por setores da extrema-direita para defender os privilégios dos mais ricos. A frase citada, “Se dou pão aos pobres, todos me chamam de santo. Se mostro por que os pobres não têm pão, todos me chamam de comunista”, do Arcebispo Dom Hélder Câmara (1909-1999, Arcebispo de Olinda e Recife), ilustra bem essa situação, pois ele foi perseguido e difamado justamente por apontar as causas da pobreza, e não apenas por ajudar os necessitados.
Então, Dom Mario Antônio não é o primeiro Arcebispo a ser “acusado de comunismo”. Mas, afinal, o que é o comunismo? Para a sociologia, ciência que estuda a sociedade, o comunismo é uma orientação socioeconômica que defende a existência de uma sociedade sem classes, onde os meios de produção (fábricas e terras) são de propriedade comum, e os bens e serviços são distribuídos de acordo com as necessidades das pessoas, em vez de lucros ou riqueza pessoal. O objetivo final é uma sociedade igualitária, onde não há Estado, nem desigualdade, nem miséria e nem violência.
O comunismo se baseia na experiência das primeiras comunidades, descritas lá no livro do Atos dos Apóstolos “⁴⁴ Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. ⁴⁵ Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. ⁴⁶ Unidos de coração frequentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, ⁴⁷ louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação (Atos 2:44-47). Nesse sentido, chamar alguém de comunista é justamente reconhecer que esta pessoa é fiel aos princípios do Evangelho e que se orienta pela experiências das primeiras comunidades cristãs.
Diante disso, se conclui que uma pessoa que dedica sua vida a serviço da evangelização merece no mínimo o respeito da sociedade. Dom Mário Antônio tem uma trajetória marcada pela missão generosa junto aos mais pobres e marginalizados nas periferias da Arquidiocese de Manaus, de posicionamentos claros em defesa dos povos indígenas e dos migrantes na Diocese de Roraima. Atualmente em Cuiabá,
O arcebispo têm se destacado por sua habilidade em dialogar com diversos setores da sociedade, promovendo a paz, a justiça e o bem comum. Sob sua liderança, a Arquidiocese de Cuiabá tem reforçado seu compromisso com a evangelização, a formação de lideranças leigas e a ação social, sempre inspirada pelo Evangelho e pela Doutrina Social da Igreja. Com Dom Mário Antonio da Silva a Igreja de Cuiabá trilha o caminho de seus antecessores, guiando o povo de Deus com sabedoria e humildade. Seu pastoreio é caracterizado pela proximidade com as comunidades, especialmente as mais carentes, e por uma constante busca de unidade e comunhão na diversidade. Além de acolhedor, Dom Mário realiza a escuta atenta e acolhedora não apenas pela sua congregação, mas também por toda a comunidade mato-grossense. Seu legado é o de um pastor comprometido com o Reino de Deus, dedicado a servir com amor e a promover a dignidade humana em todos os aspectos da vida social e religiosa (Página da Diocese: https://arquidiocesecuiaba.org.br/arcebispo/).
Além disso, Dom Mário teve todo o respeito do Papa Francisco, nomeado secretário da elaboração do Documento Final do Sínodo da Amazônia realizado no Vaticano em outubro de 2019. Em maio de 2019 foi eleito vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, missão que exerceu com responsabilidade e zelo missionário.
Mas, o mais importante é que Dom Mário Antônio tem o respeito e o reconhecimento dos pobres trabalhadores das periferias que lutam incansavelmente pelo pão de cada dia, dos migrantes que representam o lugar teológico do próprio Jesus que afirma “Eu era migrante e tu me acolhestes” (Mateus 25:35). É por isso que a direção nacional do SPM manifesta seu apreço incondicional a Dom Mário Antônio e se posiciona em sua defesa neste momento tão difícil da sua missão.

